Nutrição Clínica
Atendimentos voltados para doenças como diabetes, dislipidemia, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, obesidade, doenças gastrointestinais, deficiências nutricionais e doenças renais, entre outras.
Algumas das principais doenças tratadas:
Diabetes Mellitus
O diabetes mellitus é considerado um importante problema de saúde pública em nosso meio. Dados do Estudo Multicênico de Diabetes no Brasil, realizado em nove capitais, mostraram que ao final da década de 1980 havia 7,6% da população adulta brasileira com a doença. O diabetes mellitus corresponde a um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambas. A hiperglicemia crônica está associada, a longo prazo, a dano, disfunção e insuficiência de vários órgãos, especialmente dos olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. Os principais sintomas são a poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), hiperventilação, desidratação, odor de cetonas e fadiga. A terapia nutricional em diabetes é feita através da individualização do plano alimentar, respeitando-se as necessidades nutricionais, hábitos alimentares, estado fisiológico, atividade física praticada, medicação em uso e situação socioeconômica.
Doenças Cardiovasculares
No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade, ou seja, 32% da mortalidade total. Portanto, as doenças cardiovasculares são afecções muito prevalentes em nosso meio. Conforme apontam diversos estudos, numerosos fatores de risco foram identificados tanto para as doenças cardiovasculares como para a doença arterial coronariana. Os fatores de risco independentes são tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, idade avançada (homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos), histórico familiar precoce de doença cardiovascular e dislipidemia. Os fatores de risco modificáveis são obesidade, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo e dislipidemias.
Hipertensão Arterial
A hipertensão arterial afeta aproximadamente 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, sendo um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares. O controle da hipertensão por meio de medidas dietéticas específicas visa não apenas redução dos níveis tensionais, mas também a incorporação de hábitos alimentares permanentes. A dietoterapia faz parte de um conjunto de medidas terapêuticas, não farmacológicas, que tem como principal objetivo diminuir a morbimortalidade por meio de modificações do estilo de vida. As modificações que podem auxiliar no controle da hipertensão arterial são: a redução do peso corporal; a adoção de um plano alimentar com dieta rica em frutas, vegetais, baixo conteúdo de gordura total e saturada; a redução dietética de sódio; a prática de atividade física; e moderação no consumo de bebidas alcoólicas.
Dislipidemias
Entende-se por dislipidemias as alterações dos níveis sanguíneos dos lipídios circulantes. Consistem na elevação dos triglicerídeos e/ou alterações do colesterol plasmático. (elevação do LDL-c e/ou redução do HDL-c). As dislipidemias podem ser consideradas, de acordo com sua etiologia, em primárias, quando relacionadas a alterações genéticas específicas e ambientais, ou ser secundárias a hábitos de vida inadequados, associadas a outras doenças ou uso de medicamentos. Os principais fatores dietéticos para dislipidemias são o alto consumo de carboidratos, ácidos graxos saturados e trans, colesterol alimentar e calorias totais (obesidade). A ingestão de gordura saturada é a principal causa alimentar de elevação de colesterol do plasma, representando os principais determinantes dietéticos do nível de LDL. Para diminuir o consumo de ácidos graxos saturados, aconselha-se restrição na ingestão de gordura animal, leite e derivados integrais, polpa de coco e de alguns óleos vegetais (dendê e coco).
Obesidade
A obesidade é hoje um dos maiores problemas de saúde pública e uma das doenças crônicas não transmissíveis que, epidemiologicamente, mais cresce em todo mundo. Dados regionalizados da população brasileira demonstram que a prevalência de obesidade grau 1 (IMC de 30 a 34,9 kg/m2) em pacientes (idade entre 50 e 70 anos) atendidos no Centro de Saúde Integração do município de Campinas (São Paulo) é de 47%, a prevalência para obesidade grau 2 (IMC de 35 a 39,9 kg/m2) é de 13% e de obesidade grau 3 (IMC> e = a 40kg/m2) é de 7%. A maior prevalência foi encontrada nas mulheres (84,4%). O efeito da genética sobre o total de tecido adiposo corresponde a 25% e os fatores ambientais correspondem a 75%. Diante disso, verificamos que a obesidade é, prioritariamente, causada por alterações nutricionais e no gasto energético, que desencadeiam desequilíbrios responsáveis pelo aumento do acúmulo do tecido adiposo.
A American Dietetic Association (ADA) recomenda que a meta do tratamento da obesidade deve ser centralizada em atingir o melhor peso possível no contexto da saúde geral. A manutenção de peso corporal atual ou atingir uma perda de peso moderada é benéfico. Indivíduos obesos que perderam apenas pequenas quantidades de peso (5 a 10% do peso corporal inicial) têm maior probabilidade de melhorar sua saúde a curto prazo, reduzindo a gravidade das co-morbidades associadas com a obesidade.
Os programas de redução de peso devem integrar escolhas alimentares mais saudáveis, exercício e modificação de estilo de vida. O tratamento farmacológico e a intervenção cirúrgica são adequados em algumas circunstâncias, mas não são substitutos apropriados para as mudanças necessárias nos padrões de alimentação e atividade física.
Critérios para classificação de obesidade e risco de co-morbidade
Classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) segundo a OMS
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Fonte: OMS, 1998.
Circunferência da cintura de acordo com o gênero em caucasianos
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Fonte: OMS, 1998.
Referências:
SILVA, S.M.C.S da.; MURA, J.D.P. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. 1ª ed. São Paulo: Roca, 2007.
MAHAN, L.K.; SCOTT-STUMP, S. Krause alimentos, nutrição e dietoterapia. 11ª ed. São Paulo: Roca, 2005.
CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2005.
